Foi-me proposto como trabalho da 4ª semana que escrevesse sobre o conceito "aprendizagem".
Como o fazer?
Escolhi um formato normal para escrever sobre uma coisa comum, para um professor: um texto com cariz reflexivo, tipo assim panfleto, carta...
Não foi uma tarefa fácil. Não se tratava de reproduzir o que dizem os peritos, mas o que eu penso.
Há já quase 1/4 de século que sou professora e tenho mais dúvidas do que certezas. As constantes alterações que "invadiram" as escolas, agudizaram as minhas dúvidas e desvanecem as minhas certezas.
O que dizer sobre o conceito "aprendizagem"?
Há uma parte que é pacifica, para mim. Trata-se de um processo contínuo, que deriva, por um lado, de educação formal, que é dada pela instituição escola, e da educação informal, construida através das vivências e experiências acumuladas pelas interações com os pais, amigos e a sociedade.Para que ocorram aprendizagens é necessário que existam vários factores, os quais podem ser facilitadores desse processo.
Para além destes principios, mais ou menos concensuais, há um conjunto de aspetos que sinto de forma menos pacífica.
Que tipo de aprendizagens valoriza a escola? Qual a importância daquilo que ensino e de que modo isso contribui para a formação de cidadãos responsáveis, conscientes da importância do seu papel num mundo cada vez mais global e globalizante.
Ensino história e reconheço nesta disciplina grandes potencialidades para o crescimento de um cidadão ativo e civicamente interveniente.
Mas enquanto docente, que aprendizagens devo valorizar? Como relacionar estas preocupações com programas muito extensos? Como implementar estratégias viradas não apenas para os aspetos cognitivos, mas também para os aspetos emocionais e afetivos? Como relacionar a necessidade de "preparar alunos para exame" com a valorização de aspetos considerados importantes para a construção da pessoa, ainda adolescente, que temos ali na frente?
A valorização excessiva dada às médias, ao lugar da escola num ranking absurdo porque compara o incomparável, a importância dada às diferenças entre a avaliação interna e a externa... tudo isto causa uma enorme pressão aos professores.
Deve manter-se o monopólio do português e da matemática e continuar a pactuar com a ausência de outros caminhos igualmente importantes, mas totalmente inxistentes nas escolas? Não seria igualmente importante propor aos alunos caminhos relacionados com a arte, a música, o desenvolvimento da sua criatividade? O aluno tem dificuldades, problemas de comportamento... é encaminhado para CEFs, Cursos vocacionais. Estamos a falr de meninos e meninas de 13, 14, 15 anos!
Será a opção certa para todos estes jovens desviados do ensino regular nestas idades?
Qual o papel que a escola deve ter no percurso individual dos nossos alunos?
Nas escolas há, atualmente, muito ensino e poucas aprendizagens.
As decisões que chegam à escola, não permitem prespetivar sinais de mudança... bem pelo contrário.
Mantenho a convição que, a pretexto de ensinar história, devo educar oa luno na sua totalidade, para que esteja apetrechado com as competências adequadas para viver o seu presente e enfrentar o seu futuro, podendo agir sobre os dois.
A valorização de aprendizagens relacionadas com a cidadania é o direito de aprender valores, conhecimenos e capcidades necessários para se prender a ser cidadão coma s atitudes e os comportamentos desejáveis numa sociedade democratica e num mundo globalizante.
Estou convicta que, como alguém disse, ensinamos mais com aquilo que somos que com aquilo que dizemos.
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