sexta-feira, 16 de agosto de 2013

METACOGNIÇÃO



Como se pensa? O que é pensar? Como pensamos sobre o pensamento? Como é que costumamos pensar sobre a eficiência e a eficácia das nossas aprendizagens? É importante ensinar os alunos a aprender a pensar?
Estas foram as questões que orientaram a pesquisa que realizei e com base na qual elaborei um artigo que pretendo consiga resumir um pouco daquilo que li e retive sobre o tema em questão.
Etimologicamente, metacognição significa a cognição da cognição, isto é, a faculdade de conhecer o próprio pensar.
A importância que este assunto assume, relaciona-se com o reconhecimento de que há um desfasamento entre as capacidades intelectuais que a sociedade exige e aquelas que a escola promove e desenvolve. Nesta enfatiza-se a aprendizagem de factos e de competências isoladas em detrimento da competência do pensar.
É inegável, hoje em dia, a rapidez com que os conhecimentos ficam desatualizados e a necessidade de criação de novos saberes. Isto significa que é cada vez mais importante que o indivíduo se aproprie de competências do pensar que lhe permitam concetualizar situações, resolver problemas, procurar soluções inovadoras e adequadas ao contexto.
Segundo algumas teorias, a metacognição é encarada como a tomada de consciência, o conhecimento e o controlo que o aluno tem sobre os seus próprios processos cognitivos aquando da realização das tarefas escolares. Neste contexto, o aluno que tem competências metacognitivas é aquele que sabe aquilo que precisa de saber e como deve agir para aprender.
A constatação de todos os factores atrás referidos, justificam as várias investigações feitas sobre esta temática, assim como a multiplicação de programas para ensinar a aprender a pensar, com a finalidade de desenvolver o desempenho cognitivo na aprendizagem escolar.
A metacognição, carateriza-se em relação ao aluno: pela tomada de consciência e conhecimento de si próprio como aprendente, ou seja, das suas características, das relações que se estabelecem entre ele e a aprendizagem; pela tomada de consciência e conhecimento da natureza das tarefas que lhe são solicitadas; pelo controlo consciente do processo de realização das tarefas em que está envolvido e pela monitorização das estratégias em função da tomada de consciência e do conhecimento da tarefa, das estratégias utilizadas e de si próprio.
No sentido de desenvolver a metacognição nos alunos é fundamental assumir um conjunto de procedimentos, nomeadamente: explicitar, antes das atividades de aprendizagem, estratégias e regras para a realização das tarefas; estimular os alunos a partilharem os seus progressos, processos, perceções sobre os próprios comportamentos cognitivos durante a execução das tarefas; incitar os alunos a explicitarem e a avaliarem os processos depois da realização das tarefas; suscitar nos alunos as experiencia de processos cognitivos, relativos a várias disciplinas do currículo e à vida quotidiana e estimular a avaliação da sua adequação e eficácia; encorajar os alunos a explorarem as consequências das suas escolhas e decisões.
Como a aprendizagem da metacognição não acontece naturalmente, a instrução deve explicitar e suscitar o pensamento cognitivo, desenvolvendo as estratégias do ensino apropriadas.
A investigação mostra os efeitos da instrução da metacognição sobre a qualidade da aprendizagem escolar. Com o desenvolvimento de competências metacognitivas, os alunos não só aprendem melhor os conteúdos e as competências específicas das áreas curriculares como desenvolvem competências gerais de aprender a aprender. Consequentemente, aprende a controlar a sua aprendizagem, torna-se mais autónomo e controla melhor a atenção e a concentração. Progressivamente, à medida que se torna mais consciente dos seus processos de pensamento, o aluno compreende e escolhe melhor aqueles que deverá selecionar para a realização de determinada tarefa, pelo que tem a possibilidade de os controlar.

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